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Adoção por gays: um novo passo para construir uma família gay completa

Adoção por gays: um novo passo para construir uma família gay completa

Em uma época em que a sociedade tailandesa está mais aberta e acolhe cada vez mais a diversidade, a luta pela igualdade de direitos de gênero, que durou mais de 20 anos, alcançou uma grande conquista: a aprovação da Lei do Casamento Igualitário. Essa lei não apenas garante aos casais o direito legal de viver juntos, mas também abre uma importante porta para que casais LGBTQ+ realizem o sonho de construir uma família gay acolhedora. Um dos direitos mais importantes decorrentes dessa mudança é o direito de casais gays adotarem crianças legalmente, assim como casais heterossexuais. Este artigo apresenta em detalhes os requisitos, as etapas e os pontos importantes para casais gays que planejam formar uma família por meio da adoção, ajudando-os a iniciar a jornada da parentalidade com maior preparação e felicidade.

No passado, a luta pelos direitos das pessoas com diversidade sexual na Tailândia enfrentou muitos obstáculos. Já em 2001, o capitão da polícia Purachai Piamsomboon propôs permitir que casais do mesmo sexo registrassem seu casamento, mas a ideia acabou sendo abandonada devido à oposição. As reformas legais avançaram gradualmente ao longo dos anos. Em 7 de junho de 2022, o Conselho de Ministros aprovou o projeto da Lei de Parceria Civil, um dos primeiros passos para permitir que casais do mesmo sexo adotassem crianças e administrassem questões de herança.

Após anos de esforços, a Lei do Casamento Igualitário foi publicada no Diário Oficial Real em 22 de janeiro de 2025. Essa lei marcou um novo capítulo na história, permitindo não apenas que casais do mesmo sexo registrem seu casamento, mas também que adotem crianças conjuntamente. Anteriormente, casais LGBTQ+ enfrentavam limitações, pois a criança adotada podia ficar legalmente sob a responsabilidade de apenas um dos pais adotivos registrados. A nova lei permite que ambos tenham responsabilidade legal igual sobre a criança.

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Casamento igualitário: o ponto de partida que torna possível a adoção por casais gays

O interesse e a expectativa em relação a esse direito aparecem claramente nas estatísticas. Desde a entrada em vigor da Lei do Casamento Igualitário, em 23 de janeiro de 2025, até o final de maio de 2025, 15.286 casais do mesmo sexo registraram seu casamento em todo o país. Esse número representa 12,60% dos 121.342 casamentos registrados no mesmo período. Esses dados mostram que muitos casais estão prontos para dar o próximo passo na construção de uma família estável.

A lei estabelece padrões rigorosos para adotar e criar uma criança como filho, priorizando o bem-estar da criança. Casais gays que desejam registrar legalmente uma adoção devem cumprir os seguintes requisitos e condições:

  1. Requisito de idade: o adotante deve ter pelo menos 25 anos e, principalmente, ser pelo menos 15 anos mais velho que a criança adotada (conforme o Artigo 1598/19 do Código Civil e Comercial da Tailândia).
  2. Consentimento do cônjuge: se você estiver legalmente casado sob a lei do casamento igualitário, deverá obter o consentimento do seu cônjuge antes de adotar uma criança (conforme o Artigo 1598/25 do Código Civil e Comercial da Tailândia).
  3. Ausência de impedimentos legais: o adotante não pode estar falido, ser legalmente incapaz ou relativamente incapaz, nem possuir antecedentes criminais (conforme o Artigo 1587 do Código Civil e Comercial da Tailândia).
Requisitos e condições para adoção

Além de cumprir os requisitos básicos de elegibilidade, preparar todos os documentos oficiais necessários é o primeiro passo para que o processo de solicitação junto ao Tribunal de Menores e Família ocorra da forma mais rápida e tranquila possível. A formação de uma família gay por meio do processo legal exige documentos que comprovem a preparação em várias áreas, incluindo:

Documentos de identidade nacional e registros domiciliares (do adotante e do cônjuge)

  • Documentos de identidade nacional e registros domiciliares (do adotante e do cônjuge)
  • Certidão de casamento (para confirmar o estado civil no âmbito do casamento igualitário)
  • Carta de consentimento do cônjuge (caso o pedido não seja apresentado em conjunto)

2. Documentos que comprovam a situação financeira e profissional

  • Comprovante de salário ou documento que comprove atividade autônoma
  • Extratos bancários (Statement) dos últimos 6 meses para demonstrar liquidez e estabilidade financeira suficientes para sustentar um novo membro da família.
  • Comprovantes de propriedade de outros bens (se houver), como escritura de terreno ou contrato de financiamento imobiliário, para confirmar que a criança terá uma moradia estável.
Documentos importantes para adoção

3. Documentos de saúde e antecedentes criminais

  • Atestados médicos confirmando que você e seu cônjuge estão em boas condições de saúde física e não possuem doenças graves ou contagiosas que possam impedir a criação de uma criança.
  • Um certificado de antecedentes criminais emitido pela Polícia Real Tailandesa, um requisito importante para a avaliação do tribunal a fim de garantir a segurança da criança.

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4. Fotos do ambiente residencial

  • Fotos da casa ou do condomínio, tanto da parte externa quanto interna (quarto da criança, áreas de convivência e arredores), para que as autoridades ou o tribunal possam avaliar o ambiente em que a criança crescerá.
Lista de verificação (Checklist)Requisitos estabelecidos por lei
Idade do adotante25 anos ou mais
Diferença de idadeDeve ser pelo menos 15 anos mais velho que a criança adotada
Estado civilÉ necessário o consentimento do cônjuge (o consentimento por escrito pode ser apresentado sem assinatura perante um funcionário público, conforme a Decisão da Suprema Corte nº 2359/2521).
Histórico e situação pessoalNão pode estar falido, ser legalmente incapaz nem possuir antecedentes criminais
Processo legal para adoção por casais gays

Construir uma família por meio da adoção não consiste apenas em criar uma criança. É necessário passar por um processo judicial e realizar o registro legal para garantir plenamente o direito de cuidar e proteger a criança. As etapas são as seguintes:

  • Etapa 1: chegar a um acordo e escolher uma instituição de adoção
    • O casal deve primeiro decidir em conjunto de onde deseja adotar uma criança, seja diretamente dos pais biológicos da criança que conhecem ou por meio de uma instituição pública ou privada de acolhimento infantil.
  • Etapa 2: apresentar um pedido ao Tribunal de Menores e Família
    • Após chegarem a um acordo, os cônjuges devem apresentar todos os documentos necessários e o pedido de adoção ao Tribunal de Menores e Família da sua região.
  • Etapa 3: processo de avaliação pelo tribunal
    • Nesta etapa, o tribunal avaliará se o casal é adequado e possui as qualificações necessárias para adotar uma criança. Os fatores considerados pelo tribunal incluem:
      • Cuidado e atitude em relação à criação da criança
      • Experiência na criação de crianças (se houver)
      • Estabilidade financeira e profissional
      • Um ambiente de moradia adequado para a criança
  • Etapa 4: registro no Cartório de Registro Civil
    • Após o tribunal aprovar a adoção e emitir a decisão, você deverá levar a ordem judicial e os documentos de aprovação ao cartório de registro do distrito ou da região onde o requerente possui domicílio para registrar oficialmente a criança como filho adotivo. É importante concluir o registro dentro de 6 meses a partir da data de recebimento da notificação de aprovação.

O fato de casais gays poderem adotar legalmente uma criança é apenas o começo. Ser pai ou mãe exige tempo, esforço, dedicação emocional e recursos financeiros para que a criança cresça bem. Estes são os dois principais aspectos para os quais você precisa se preparar:

1. Planejamento financeiro

Atualmente, criar uma criança desde o nascimento até a conclusão da universidade pode custar vários milhões de bahts. O casal deve discutir e planejar em conjunto os seguintes pontos:

  • Fundo educacional: vocês já começaram a poupar ou investir para as futuras mensalidades e despesas educacionais da criança?
  • Seguro de saúde e acidentes: doenças infantis podem ser imprevisíveis. Ter um seguro de saúde para a criança pode ajudar a proteger a família contra despesas financeiras inesperadas.
  • Despesas adicionais do dia a dia: alimentação, roupas, brinquedos e atividades de desenvolvimento de habilidades representam despesas mensais extras.
Preparação para construir uma família gay

2. Preparação emocional e como lidar com perguntas da sociedade

Embora a sociedade tailandesa esteja mais aberta, não podemos negar que crianças que crescem em famílias gays podem enfrentar perguntas de colegas da escola ou de pessoas ao seu redor, como: “Por que você tem dois pais?”

Estar preparado para essa situação é muito importante. Os pais devem criar um ambiente cheio de amor e compreensão e ensinar a criança a ter orgulho de sua família. Conversar com honestidade desde a idade em que ela começa a compreender e usar livros ou conteúdos que abordem a diversidade familiar pode ajudar a fortalecer sua resiliência emocional, permitindo que cresça como uma pessoa confiante e forte.

Considerações adicionais antes de construir uma família

Além do processo básico, existem detalhes jurídicos delicados que as pessoas que desejam adotar uma criança devem conhecer:

  • Consentimento do responsável legal atual: se a criança ainda tiver pais biológicos, é necessário obter primeiro o consentimento deles. Se a criança não tiver pais, seja a adoção feita por meio de parentes adultos ou de uma instituição de acolhimento infantil, ainda será necessário obter o consentimento da pessoa ou autoridade que detenha a guarda legal da criança naquele momento.
  • Consentimento da criança: se a criança a ser adotada tiver mais de 15 anos, ela própria deverá dar seu consentimento à adoção.

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Embora a adoção por casais gays já seja reconhecida legalmente, as famílias LGBTQIA+ ainda enfrentam algumas lacunas jurídicas que precisam ser resolvidas. Atualmente, cerca de 50 leis relacionadas a outros direitos dos cônjuges ainda aguardam revisão.

Uma questão evidente é “ter filhos por meio de tecnologias de reprodução assistida”, especialmente as leis sobre barriga de aluguel. Atualmente, uma nova lei está sendo elaborada para ampliar esses direitos aos casais abrangidos pelo casamento igualitário e a estrangeiros. Como as tecnologias reprodutivas ainda não estão legalmente disponíveis para casais gays masculinos, a adoção continua sendo a principal opção segura, clara e legalmente reconhecida para formar uma família. Além disso, para casais em que um dos cônjuges é estrangeiro, as leis de nacionalidade ainda podem afetar seus direitos, pois as regras atuais continuam especificando o gênero, limitando os direitos de cônjuges do mesmo sexo.

A conquista de diversos direitos, incluindo o direito à adoção, transformou completamente a perspectiva e a qualidade de vida dos casais LGBTQ+.

“Antes do casamento igualitário, pode-se dizer que praticamente não tínhamos direitos, especialmente o direito de ter nosso amor reconhecido como tendo o mesmo valor e dignidade que o amor de qualquer outra pessoa… Mas, depois de registrar nosso casamento, temos a mesma dignidade que outros casais… Ninguém pode mais se recusar a nos reconhecer, porque o casamento igualitário significa que nossos direitos não dependem mais da aceitação de ninguém. São direitos garantidos por lei.”
— Chatchai Emmarat, advogado e acadêmico independente, que registrou seu casamento com Pachira Emmarat

Esses direitos ampliados também proporcionam maior estabilidade à vida do casal, incluindo o direito de autorizar tratamentos médicos em situações de emergência, solicitar conjuntamente um financiamento imobiliário e administrar bens em comum. Esses direitos dão aos casais mais confiança para construir uma base familiar estável e se preparar para uma futura adoção.

Após a conclusão do processo judicial e o registro oficial da adoção, a lei protege a criança da mesma forma que um filho biológico. Esses direitos ajudam a criar uma base familiar estável, incluindo:

  • Direito de usar o sobrenome da família
    • A criança tem o direito de adotar imediatamente o sobrenome do adotante, ajudando a fortalecer o sentimento de pertencimento e união dentro da família.
  • Direitos de herança
    • Uma criança adotada é considerada herdeira legal de primeira ordem, com o mesmo status de um filho legítimo. Se o adotante falecer sem deixar testamento, a criança terá pleno direito à herança conforme a lei.
  • Benefícios fiscais para os pais
    • Os pais adotivos podem solicitar uma dedução no imposto de renda de pessoa física por filho adotivo, de acordo com as condições estabelecidas pelo Departamento de Receita da Tailândia. Atualmente, a dedução é de 30.000 bahts por criança.
  • Direito a subsídios ou benefícios de servidores públicos
    • Se você ou seu cônjuge for servidor público ou trabalhar em uma empresa que ofereça benefícios para filhos, uma criança adotada também poderá ter direito a esses benefícios, como despesas médicas ou auxílio-educação.

Observação: por outro lado, a lei não exige que a criança adotada seja responsável pelas dívidas do adotante, e o adotante não tem o direito de herdar da criança adotada na condição de herdeiro legal.

Direitos e benefícios que uma criança recebe por meio da adoção legal

Conceder a casais gays o direito de adotar crianças não é algo novo no cenário internacional. Atualmente, mais de 30 países em todo o mundo permitem legalmente que casais do mesmo sexo adotem crianças em conjunto, incluindo os Países Baixos (o primeiro país a permitir em 2001), o Reino Unido, os Estados Unidos, o Canadá e a Austrália. Diversos estudos de instituições reconhecidas mundialmente, como a American Academy of Pediatrics (AAP) e a American Psychological Association (APA), confirmam de forma consistente que:

“Crianças criadas por pais do mesmo sexo não apresentam diferenças no desenvolvimento emocional, intelectual e social em comparação com crianças criadas em famílias com pais de sexos diferentes. O que determina a qualidade de vida da criança não é o gênero dos pais, mas o amor, o cuidado e a estabilidade dentro da família.”

A aprovação da Lei do Casamento Igualitário na Tailândia e o reconhecimento desse direito representam um avanço importante na elevação dos padrões de direitos humanos ao nível de outros países desenvolvidos. Isso também demonstra que a definição de família gay na sociedade tailandesa evoluiu de simples “pessoas que vivem juntas” para uma verdadeira instituição familiar protegida pelo Estado.

A aprovação da Lei do Casamento Igualitário representa um marco importante no avanço da dignidade humana e dos direitos civis na Tailândia. A adoção por casais gays deixou de ser algo distante ou apenas um sonho e passou a ser um direito legalmente reconhecido e plenamente protegido. Uma família gay baseada em amor, carinho e estabilidade pode agora se tornar realidade por meio do processo judicial e do sistema de registro civil, que garantem reconhecimento igualitário.

Para casais que estão se preparando para se tornar pais, além de organizar os documentos e compreender os requisitos legais, a preparação emocional e financeira, assim como a organização do tempo para cuidar do novo membro da família, são fundamentais para que sua família cresça de forma saudável e feliz na sociedade moderna.

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